quarta-feira, agosto 30, 2006

Por Acaso

“Aí então me apaixonei por dois fora-da-lei e tive uma conversinha com o sol. Falei que não gostava do jeito como ele fazia as coisas. Fiz sexo nos fundos do velho cinema que ia fechar. Usei manteiga em Paris. Tive uma fazenda na África. Tirei a roupa na janela de um prédio de apartamentos e distraí os dois inspetores da polícia que vigiavam o louco no telhado tentando matar o padre. Eu me apaixonei por um italiano. Foram seus passos na pista de dança que me arrebataram. Eu sabia o que significava o amor. Significava jamais ter de dizer perdão. Significava que o homem que dirigia o táxi iria matar o candidato presidencial, ou o cafetão. Tão macio quanto uma poltrona. Aconteceu tão depressa. Minhas pernas foram arrancadas por um tubarão. Esfaqueei o seqüestrador, mas todo mundo fez igual, não fui só eu, no Expresso Oriente.

Meu pai era Terence e minha mãe era Julie. Nasci e fui criada pelas montanhas (vivas) e pelos animais (falantes). Eu me considerava bem enquadrada, parte da mobília. Não sobrava muita coisa. E quem se importava?

(…)

Mas está tudo no jogo e na maneira como se joga, e é preciso fazer o jogo, você sabe.

Eu nasci livre, me diverti à beça e, até onde sabemos, vou viver para sempre.”


Extraído do livro Por Acaso (The Accidental: A Novel), de Ami Smith.

Li um trecho desse livro na Veja Online e achei ele muito louco, mas legal. E uma certa dose de loucura não faz mal a ninguém, não é?

Gostei em especial da parte que fala do "jogo" (da vida?) e da maneira como se joga, pois essa é uma daquelas coisas que a gente vai aprendendo com a idade...

Vou procurar esse livro por aqui...

Abraços.

Em tempo: A Ami Smith foi uma das autoras que participou da FLIP (Festa Literária de Parati) em 2006.

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