quarta-feira, maio 23, 2007

Purgatório da beleza e do caos


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Parece aquelas cenas de filme americano em que uma luz vem do céu e Deus fala. Só não sei o que ele estaria falando para o povo carioca… :-)

O Rio é justamente esse mix de amor com desilusão. De alegria com tristeza. De bonitinha com ordinária. De calor humano com assalto à mão armada. E essa dicotomia está no DNA de nós, cariocas, que mesmo os que estão longe dela por opção (como é o nosso caso), não deixam de sentir orgulho de ser de lá.

Pegando emprestado as palavras de Millôr:
“E basta ouvir pra ver que o nervo de todas as conversas cariocas, a do bar sofisticado como a do botequim pobre e sujo, por isso mesmo sofisticadíssimo, a do living-room granfa, a da cama (antes e depois), é o humor, a crítica, a piada, a graça, o descontraimento. Não há deuses e nada é sagrado no Olimpo da sacanagem. O carioca é, antes de tudo, e acima de tudo, um lúdico. Ainda mais forte e mais otimista do que o homem da anedota clássica que, atravessado de lado a lado por um punhal, dizia: "Só dói quando eu rio", o carioca, envenenado pela poluição, neurotizado pelo tráfego, martirizado pela burocracia, esmagado pela economia, vai levando, defendido pela couraça verbal do seu humor.

Só dói quando ele não ri.

Só dói quando ele não bate papo.

Só dói quando ele não joga no bicho.

Só dói quando ele não vai ao Maracanã.

Só dói quando ele não samba.

Só dói quando ele esquece toda essa folclorada acima, que lhe foi impingida anos a fio com o objetivo de torná-lo objeto de turismo, e enfrenta a dura realidade... carioca.”


(Leia o texto completo aqui).

Abraços.

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